Marieta! Vou ao banheiro. Levantou às pressas com o guardanapo escorregando pelo colo, enquanto o homem que lhe fazia companhia afastava a cadeira e ensaiava um leve meneio com a cabeça. Atrás de si, apenas o rastro de um nome que, diluído no ar, tinha o peso de uma pena de ganso, quando comparado às rimas pobres da infância, as quais era constantemente submetida. Se escondeu no canto mais escuro do bar. E conferiu a bolsa na qual juntava com sanha desmedida todos os tostões para se transformar numa Dalva, Luzia, Gislaine. O homem virou um gole de bebida enquanto transferia a maleta do colo para a mesa. Como um mètre que abre pomposamente uma carta de vinhos num jantar de bom gosto, exibiu um cardápio de nomes, prontos para serem desgustados. Sorriu. Outro gole de bebida. Junto às certidões, impresssos numa revista de procedência um tanto quanto duvidosa, o significado de todos eles. É só escolher o que mais te agrada. E eu te batizo. Um último gole. Girou o copo no ar em tempo dela fazer um gesto discreto para que o garçon completasse a dose de bebida faltante. Continuou acompanhando as páginas puídas da publicação até que seu dedo retornasse ao seu ponto inicial de inércia. Edith. Inteligente e comunicativa, você tem necessidade incrível de falar, mas nem sempre diz tudo o que se passa pela sua cabeça. Movida pela razão, só fica brava quando é desmentida ou contrariada. Não poderia ter feito melhor escolha, sacudiu o copo novamente, mas dessa vez foi ignorado por ela, que já lhe passava por baixo do guardanapo um maço de notas. Recolheu a revista, guardando o dinheiro no bolso do paletó e acompanhado a moça, que já se sentia uma outra pessoa, na saída do bar. Até mais dona Edi… Um carro desgovernado subiu pela calçada impedindo-o de prosseguir. Limpou o rosto com um lenço, jogou a revista puída na lixeira mais próxima e se afastou, rápido, se misturando rapidamente à multidão. Dos curiosos mais atentos, apenas o garçon pôde ler a página aberta dentro da lixeira “Atenção à saúde nos próximos dias”.